A incógnita que permeia as faculdades humanas, dentre todas as perguntas sobre relações sociais, é a questão sobre a concepção da associação humana, como ela aconteceu e como ela visa a surgir naturalmente. Especula-se que o surgimento da sociedade é intrinsicamente associado ao nascimento da dependência. Logo, tendemos a expressar, o que forma essa relação.
A dependência, é antes de tudo, o primeiro fator que constitui uma relação de instrumentalidade, essa instrumentalidade que por si, significa a utilização do próprio ser humano como instrumento.
Como os seres humanos visam da natureza, a estender o ser humano ao indivíduo próprio, torna ao instrumentalizado ser próprio e estimado, constitui-se nela um vínculo e, portanto, visando a dependência social.
Em uma associação social, o ser humano tende a associar-se ao outro pelo valor instrumental que intente a relação. O valor, nesse caso, é a capacidade de extensão, da forma como objetos inanimados estendem as habilidades humanas, as associações sociais estendem a capacidade do ser humano a mutua capacidade instrumental, ao que aufere aos participes da relação social alguma forma de troca de mutual dependência.
Vimos esse fator as várias relações sociais ou proto-sociais. Entre eles, o exemplo factual é o do surgimento da família, base para a proto-sociedade natural entre os mamíferos, a simples relação de mãe e sua cria, leva ao natural vinculo instrumental, tanto a criança necessita e depende da mãe quanto a mãe depende do filho, institivamente, pela propagação da espécie.
Poderíamos afirmar que o caráter instrumental da relação social está intrinsicamente vinculado à genética e do quanto a evolução foi de formidável base para a constituição evolutiva da socialização do indivíduo. Os seres sociais, são providos de mecanismos biológicos e gatilhos para socialização, sobretudo, a alcançar um estado de interdependência. Podem ser, estes fatores genéticos, tão simples e primitiva como uma coméia de abelhas, quanto uma sociedade inteira constituída dos mais evoluídos seres sociais.
Seres se instrumentalizam, logo, cooperam para receber do fruto do vínculo, maiores chances de sobreviver, e no caso da humanidade, um trabalho menos árduo e mais produtivo. Visa a entender logo do “por quê” dos contratos sociais existirem, e das leis da humanidade que seriam afinal, sistemas para proteção do próprio conglomerado social contra tudo aquilo que interrompa a síntese da dependência e instrumentalidade.
Podemos, portanto, divagar mais além. Associamos isso a própria banalização do anarquismo e do comunismo nos séculos 19 e 20, como proteção da sociedade capitalista e da dialética de leis trabalhistas que surgiram durante o período conturbado da guerra fria, entre classes na Idade dos Extremos, essa que foi cunhada por Hobsbawn. Mais um exemplo seria a sociedade entre bandidos e como isso dá gênese à própria política e na constituição de suas próprias leis, para entender a instrumentalidade de cada indivíduo e seus papeis na empreitada ilegal.
Nessa lógica, se há um padrão e isso deriva do dogma jurídico, “se há a sociedade, há o direito“(Ubi societas, ibi jus). Se há vínculos de dependência entre os seres, há conflito de interesses, e logo, nasce o direito, as nações, as culturas, e todo resto que constitui a sociedade e logo, da humanidade como um todo.
Isso nos dá a única perspectiva, que do interesse humano na preservação dos laços, hão os interesses, a cooperação e suas regras. Penso eu, que se a natureza é assim, então o anarquismo é um fundamento político impossível.
Este é o meu pensar.
Escrito em dois de setembro de 2020.

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