A primeira vez que tive um vislumbre de sua existência, seus cabelos loiros se esparramavam pela mesa, como um rio dourado. Logo soube se tratar de uma bela mulher, mas ainda sem a certeza do que eu estava prestes a sentir. Foi logo após o meu turno, entre mordiscadas do meus almoço lanche e o falatório dos colegas de trabalho, decidi inspecionar com mais minucia a beldade que ali se encontrava. Guardei minhas coisas e caminhei até seu posto, e lá estava ela. Com sua pele marmórea de uma lividez singela como seda, parecia macia ao toque, seus olhos eram de um tom azulado como as cores de uma praia exótica do caribe, algo do qual nunca imaginei observar, apenas talvez, um pintor saberia me dizer que tonalidade de azul tão magnifica era aquela. O cheiro de rosas tomou minhas narinas e meu coração começou a pulsar dentro do peito. Comecei a imaginar como seria sua voz, como seria seu sorriso, será que ela gostava de poesia ? Minha timidez logo me fez voltar de súbito para a realidade e sai sem dizer uma palavra.
Erica, Erica! Esse era seu nome. Naquela noite, tive dificuldade para dormir, sua imagem e sua beleza chegavam a doer na memoria, e principalmente, a vergonha da minha timidez, até quando isso iria continuar. Preso na minha própria existência, uma jaula invisível me impedindo de viver de forma plena. Levantei após alguns goles de água e um banho frio, voltei a dormir e então o sinal divino me arrebatou.
A brisa batia suave pelo rosto e o cheiro do mar enchia os pulmões e ela estava ali. Caminhando de forma despretensiosa usava um vestido branco solto no corpo que dançava junto com as ondas do mar. Ela me olhava e o azul penetrava o meu ser entrando em minhas veias, meu corpo, meu coração me preenchendo e quando percebi, tudo era azul... não qualquer azul... o azul de Erica...
Acordei. Decidido.
Esperei afoito, minhas palmas estavam suadas e minha respiração ofegante, a timidez novamente me consumia. Será que eu deveria ? O medo me tomou. E se ? Não, não posso desistir. Aguardei até o ultimo segundo, para tomar o máximo de coragem que conseguia. Então fui com coração a sair do peito, cheguei perto dela, sua beleza estava radiante, com os lábios pintados singelamente de um tom rosado, e as bochechas levemente coradas, me aproximei. " Você esta linda hoje " por fim disse com a voz tremula. Seu vestido branco parecia muito com o do sonho, isso me encheu de alegria. E sem perceber uma força motriz me movimentou, de impulso me inclinei e lhe dei um beijo na bochecha tocando meus lábios levemente ao canto dos seus, sentindo sua maciez por um misero segundo. A situação toda me fez corar.
Entre choros e lamurias em minha volta, um homem alto esguio com os olhos marejados se aproximou.
" Eram amigos ?" Questionou sem tirar os olhos dela.
Respondi que sim " Uma pena seus olhos estarem fechados"
"Concordo, eram de um azul único " respondeu.
"Sentiremos falta." Ele disse por fim.

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