Me encontrei encharcado da cabeça aos pés, e tive que procurar abrigo no café Suzane, aquele que ficava na frente do píer. Linda a garçonete, ao me ver, trouxe uma xícara de um bom e quente café.
- Aqui John, para te aquecer- Deixou o café que logo esbanjou um cheiro delicioso .
Após um tempo decidi por vez observar novamente o ambiente, mas me limitei a olhar apenas o interior do café . Haviam exatas oito pessoas, eu, mais quatro clientes, duas garçonetes e o cozinheiro, que não saiu da cozinha em nenhum momento. Entre os clientes , duas amigas que provavelmente tinham acabado seus expedientes no parque de diversões ali das redondezas, ambas estavam com uniformes do parque, e acabaram se abrigando da chuva no café.
Os outros dois clientes, pai e filha. O pai um homem corpulento que não tirava os olhos do jornal, e a filha uma criança de aproximadamente cinco anos de idade brincava incessantemente com sua luneta.
Voltei os olhos para o jornal do pai, do qual se encontrava completamente seco, logo pensei eles estão de carro, me virei em direção a janela que dava de frente com o estacionamento, e ali estava uma pick-up Ford prata .
- BINGO !
Me retratei com um sorriso
Me repreendeu Clara a outra garçonete, do qual viverá boa parte de sua vida trabalhando ali.
- MINHA NOSSA ! Disseram as amigas
- SANTO DEUS ! Indagou Linda a garçonete
Todos ficaram estarrecidos. Eu logo pensei , se tratar de um trovão porém fora muito forte para ser um simples trovão, todos levantaram e se empenharam em arrumar tudo, inclusive a si mesmos.
Gritou a criança de luneta em punho apontando na direção do mar .
- OH MEU DEUS ! falou após olhar na luneta e passa-la
- DEUS MISERICORDIOSO! Disse Linda fazendo o sinal da cruz com a mão e passando a luneta.
- Mais que merda e aquela ! Indagou o pai incrédulo
Peguei a luneta, e de inicio nada encontrei, porém ao cair um raio que iluminou o céu , algo distante no horizonte apareceu. De inicio achei se tratar de uma montanha, porem gradativamete minha visao comecou a dar contorno e forma. Foi então que eu percebi um ser , monstro ou seja lá o que era aquilo que estava no mar , gigantesco como uma sombra negra que se projetava distante no oceano.
- Filho da puta ! – indaguei ao perceber que aquilo estava crescendo com o tempo.
Sim! Ele vinha em nossa direção.
- Se acalmem! – gritou com uma voz de trovão.- precisamos sair daqui nesse exato momento, arrumem se e vamos dar o fora daqui !
Utilizou de um autoridade digna de um sargento , o que se mostrou efetivo pois todos começaram a se organizar, dando uma leve acalmada nos ânimos que estavam a flor da pele.
Eu me encontrava com estado de espírito abalado, como se estivesse sendo observado ou algo do gênero, um fio de intuição parecendo me mostrar alguma coisa. Fui despertado de meu devaneio pelo pai dizendo sobre seu carro e que daria para todos caberem caso alguns ficassem na caçamba, sua voz saiu como um sussurro sem ar porém foi ouvida por todos que logo se moveram em direção a o estacionamento. Exceto por Linda que com seu jeito dedicado de ser , desde de minha infância fora assim , estava organizando o máximo possível o seu precioso café do qual dedicou sua vida toda e o amava de paixão.
- Vamos linda , temos que sair . Falei pegando em sua mão e gentilmente a puxei em direção a saída.
Era nítida a dor em seu olhar , o Café Suzane era tudo o que aquela senhora de meia idade possuía, e abandona-lo, era algo que lhe partia o coração. Relutante mas consciente da situação me seguiu com amargura.
Saímos do café e nos deparamos com o fim da chuva de modo repentino, todos olharam para o céu, porém apenas eu olhei com certa estranheza
- Graças a deus pelo menos a chuva cessou , não estava mais aguentando. – desabafou Clara
“talvez você não tenha visto corretamente, pense John aquilo o que era aquilo?
Poderia ser maior do que você imagina Jhon, e mais rápido e mais silencioso do que você pensa, observe o céu. Cuidado Jhon! ”
Olhei para aquele vasto céu negro , um breu se erguia no horizonte. subitamente pareceu cair em nossas cabeças, a chuva não cessará, a coisa que a cobria .
Logo depois fiquei inconsciente e os grandes olhos se foram dando lugar a escuridão total.
Porém, mesmo minha condição sendo crítica , não fora eu quem sofrera mais com o ocorrido. Clara a garçonete feriu gravemente a coluna o que lhe tirou o movimento das pernas, Tina uma das funcionárias do parque teve três costelas quebradas e necessitou de uma cirurgia de urgência (algo que não pode ser feito com a devida urgência, dada as circunstancias do desastre, o que quase lhe custou a vida ) e por último April, a criança que brincava com a luneta, perdeu o pai e teve que se acostumar com a palavra órfão.
Anthony O’Brien , o pai perecerá no local do acidente junto com Linda Martin, Bill Thomas e Anna Philips, a outra funcionaria do parque. Todos se foram no próprio local do acidente , morreram na hora , e tenho certeza que mal viram a morte chegando.
Enquanto a criatura, permanece um mistério nenhuma foto capturou sua imagem e aqueles que supostamente viram a coisa tinha versões bizarras (mais do que foi o caso ) e sempre mudavam conforme o tempo.
O governo anunciou que o ocorrido foi ocasionado por um terremoto de magnitude 8.0
Muitos discordaram mas alguns preferiram engolir essa explicação do que a de um monstro vindo do mar .Enquanto eu... Eu ainda procuro descobrir a verdade, custe o que custar , pois aquela coisa, aquele monstro, nao poderia ser real , e mesmo que seja eu preciso acha lo e descobrir de uma vez por todas a verdade por trás daqueles olhos.

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