Pragas Urbanas
Continuamos nossa viagem, as casas começaram a sumir dando lugar para árvores, vegetação e uma estrada de terra. Um gelo subiu a minha espinha e fiquei desconfortável. O Grande tentava puxar assunto e ficava encostando em meu ombro, como se fôssemos íntimos. Respondi a todas as perguntas sempre de forma curta, não ríspida, mas curta.
Paramos em uma espécie de fazenda abandonada, eu questionei; minto, gostaria de ter questionado. Eu apenas fiquei parada esperando os dois descerem. Ele desceu do carro junto com os amigos e me pediu para sair. " Quero te mostrar uma coisa".
O Miúdo me olhava, fitava, analisava como se estivesse em um açougue e eu fosse uma peça de carne. Eu estava de shorts, não tão curto, tênis, e uma camisa regata sem decote. Isso é roupa de menina fácil ?
Infelizmente não foi assim.
Antes preciso me desculpar pelo que vou contar a seguir, não é algo que eu gostaria de dizer e acredito que você também não quer saber os detalhes. Se fosse possível eu pularia essa parte da historia, no entanto, eu preciso; preciso lhe dizer tudo, para que você compreenda, para que você sinta o que eu senti.
Subi as escadas de madeira da entrada, que rangiam em resposta, pareciam reclamar. A porta da entrada estava entre aberta. Ele abriu para mim, como se fosse uma espécie de cavalheiro. A luz interna saiu agredindo meus olhos. Demorei um tempo para que minha visão se acostumasse com o ambiente. A luz era provida por duas lanternas fortes que estavam, cada uma em uma parede, apontadas para o teto, ou o que havia sido um. Havia umas cadeiras antigas e um colchão de casal novo, no meio, algumas garrafas de bebida estavam espalhadas. O Grande estava sentado na cadeira, fumando um baseado, e riu quando entrei.
Ele me pegou e me abraçou por traz beijando meu pescoço, eu o afastei e perguntei finalmente o que estava acontecendo. Era uma festinha, Ele dizia, festinha particular só para mim. Como se eu quisesse, como se fosse uma espécie de prêmio. Eu recusei disse que queria ir para casa, ou pensei em dizer, não lembro. Só sei que quando percebi estava no colchão me debatendo e gritando. O Grande segurava meus braços colocando todo seu peso nos meus pulsos, eu sentia o roçar do tecido do colchão, ardia. O Miúdo levantava minha blusa, parecia faminto, abaixou meus sutiã e lambeu meus peitos da forma mais asquerosa possivel. Eu gritava me debatia mas era em vão. Ele abaixou meu shorts e mandou ficar quieta "você gosta assim não?!" respondi com uma joelhada na boca dele. Vi o sangue escorrer do seu lábio. Ele me deu um soco na barriga que me fez faltar o ar.
" Vou te foder, que nem a vadia que você é!"
E assim ele fez, a dor a humilhação, eu não consigo encontrar palavras para descrever. Fui burra confiei nele. Acreditei.
Logo acabou, veio o Miúdo, se posicionou para dar prosseguimento. Foi o tempo para meu pé ir direto em seu nariz. Seguido de outro soco na barriga. "você vai ficar quieta, puta! " seguido de uma cusparada na minha cara.
Para onde foi o loiro com sorriso fácil carinhoso e gentil. Será que ele chegou a existir?
Minhas pernas doíam de tanto me debater meus pulsos ficaram dormentes e já estavam em carne viva. O Miúdo foi mais rápido, acredito que era virgem, ou talvez precoce, mas seu cheiro sua cara seu olhar para mim, era degradante e nojento. Por ultimo foi o Grande. não consegui acerta-lo com meu chute ou joelho. Doeu como nunca, minhas lágrimas salgavam a boca. Ele me segurava com menos força mas meus pulsos já estavam tão machucados que a força era o de menos. Demorou um vida, eu chorava pedia por favor. Eles lançavam palavras nojentas me humilhavam, me deram tapas. Aquilo parecia não ter fim.
Ele pegou minhas pernas e o Grande meus braços. Me levaram para fora da casa. A grama roçava minhas pernas nuas. Eles caminharam ate os fundo. Vi a lua cheia no céu, e estrelas brilhando. O pequeno empurrou uma pedra redonda e os outros me colocaram na borda. Lembro da rocha áspera . Então me jogaram.
Senti peso em meu peito e o ar que já era escasso faltou. Um vulto negro grande como um gato surgiu com olhos vermelhos cor de sangue fresco. Se aproximou do meu rosto começou a farejar. Meu ódio crescia, e queimava meu corpo, abracei a dor e a escuridão.
Era uma casa grande, um sobrado, com dois carros na garagem. Ao observar seu quarto com poster de super heróis e modelos de biquíni, percebi que estava certa , ele era virgem. Me esgueirei pelo aposento, mas os sons de meus ossos estalando, como galhos secos se partindo, o acordaram.
"Quem esta ai ?"- Previsível e infantil.
Meu filhos, riam dele, se espalhando pelo quarto sem serem vistos. Tentou ascender a luz de seu abajur, que já estava com o fio roído.
"Você !" foi tudo que consegui gritar, com uma voz rouca, longa e falha. Me arrastava com dificuldade pelo chão.
Ele estremeceu no escuro tentou correr, meus filhos já estavam em cima nele roendo e arranhando sua face. Um conseguiu entrar em sua boca, entre gritos de desespero. Seus braços balançavam de um lado para outro em pânico. Não demorou muito, conseguiu entrar dentro dele como se fosse um escorregador em tubo, ficando apenas parte do seu rabo rosado para fora da boca como espaguete. Assim o Miúdo caiu no chão como um saco de lixo começou a se debater, por um momento ele sumiu, eram um emaranhado de pelos. O sangue começou a escorrer pelo carpete.
" Ela saia com todos, pode estar enfiada na casa de qualquer um, não devo ser o único suspeito"
Eles continuaram com os amassos apaixonados, aguardei pacientemente, escutando cada ruído. Meus filhos em silencio se posicionavam entre as parede velhas do motel. Éramos uma legião nos preparando para uma batalha, se colocando em lugares estratégicos, nas linhas inimigas.
A garota apagou a luz, e assim eu pude me arrastar, deixando apenas a cabeça do lado de fora, observando tudo pelo espelho no teto, meus olhos vermelhos escarlates brilhavam como duas velas. Ela ficou em cima dele enchendo de beijos, pegou uma algema rosa felpuda, e o prendeu a cabeceira da cama.
"Assim eu gosto, safada" - Ele disse com um tom de voz patético.
Ela continuou, prendendo seus pés, e logo subiu nele dando-lhe mais uma porção de beijos, dizia que amava ele em cochichos e outras coisas do gênero, e ele retribui-a. A garota começou a tirar a roupa, e ele soltou aquele sorriso fácil. Se eu ainda tivesse estômago funcional teria vomitado ali mesmo. Ela levantou.
" Vou tomar um banho e já volto"
Ele praguejou indignado, ela deu alguma resposta com risinhos e se dirigiu ao banheiro, por sorte fechou a porta, ficando apenas a fresta de luz do banheiro que saia por debaixo da porta, em conjunto com a fraca luz da janela semi serrada. Meus filhos começara a rir, "A sorte esta lançada".
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, minha mão já estava sobre sua boca e minhas unhas fincadas em sua cara.
" Shiuuuuu"
Ele empalideceu, tentou se debater na cama, fazer algum som, mas foi abafado pelo barulho do chuveiro. Eu subi na cama, fiquei em cima dele, colocando todo o meu peso mórbido em cima de seu peito. Meus filhos logo começaram a aparecer, o carpete parecia estar vivo. dois em dois eles subiram na cama, infestando o corpo dele. Deixei que mordessem, mas lentamente sem pressa, esse não iria a lugar nenhum. Ele gemeu, e se debateu em vão.
Primeiro foram as unhas arrancadas a dentadas, depois a falange dos dedos. Meus filhos faziam isso com uma velocidade estrondosa. Sim senti orgulho.
" Você ... gosta assim... não ?"- Minha voz era falha, baixa como um murmúrio.
Ele chorou, e logo suas cuecas brancas Calvin Klein, adquiriram o tom amarelado. Meus filhos riram, alto demais. A garota ouviu e abriu a porta do banheiro. Ficou ali pálida com os olhos vidrados em mim, sua voz faltou na garganta, a toalha escorregou de sua mão, expondo seu corpo nu. Eu virei apenas com a parte superior do meu corpo, e a encarei.
Pode ser loucura minha, acredite, por um instante ela pareceu entender, lágrimas escorreram, Não era medo que vi em seus olho, era dor. Um suspiro e ela desmaiou.
Ela não sabia mesmo.
Continuei, não sei por quanto tempo. Primeiro foram os olhos, depois a língua; assim ele não gritaria mais, depois suas orelhas e por fim sua genitália roída ate o talo. No entanto eu queria poder fazer mais, queria poder queima-lo vivo um milhão de vezes, queria poder... Eu não merecia aquilo, nunca, ninguém merece algo assim, me sentia suja enganada; e ele estava ali se divertindo; com uma garota que espécie de psicopata ele era, quem ele achava que era para me usar e descartar como lixo, como um nada. A morte parecia algo bom demais para ele.
"Vou aterrorizar seus sonhos, até o fim da sua vida miserável"- dessa vez minha voz não falhou, dessa vez não foi um murmúrio.
Me arrastei de volta para meu ninho com meu exercito de filhos, como fiquei orgulhosa deles. Ouvi os grilos cantarem alto, senti a relva alta tocar minha pele, a rocha áspera em minha mão, e a queda; dessa vez suave, como uma pena, deslizando pelo ar, pela escuridão.
Não demorou muito, dias talvez, ouvi seus passos, vasculhando e xeretando pelos lados, haviam cachorros junto. A pedra circular se moveu fazendo a luz do dia penetrar, meus olhos continuaram imóveis encarando o céu.
"Ela esta aqui. Deus do céu! " - As luzes vermelhas e azuis pairavam no ar. Fui encontrada. Não salva.

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